Do campo para a merenda escolar
Beterraba, feijão, batata doce e até banana orgânica. Se depender da nutricionista que cuida da alimentação escolar, Eduarda Dal Pont, nunca mais vai faltar salada na mesa do refeitório das escolas. O problema era onde conseguir hortaliças diariamente para mais de 500 alunos, frente a realidade da monocultura do arroz ou fumo no município.
A insistência da nutricionista na reeducação alimentar das crianças ganhou o apoio do Programa Nacional de Alimentação Escolar, do Governo Federal. A partir de 2010, 30% do valor mensal da merenda escolar deve ser comprado do campo, ou este valor retornará ao Ministério da Educação.
Em parceria com a área técnica da Epagri, a responsável pela merenda escolar Lurdete Ghellere e a nutricionista visitaram uma série de famílias de pequenos agricultores com potencial para fornecer os produtos. Esta semana, os interessados assinaram os contratos de compra e venda com a Secretaria Municipal da Educação.
Na volta às aulas, na segunda-feira, 15 agricultores locais começarão a se revezar no fornecimento de mais de dez tipos de produto in natura. “Facilitou muito, pois agora temos alimentação de qualidade, sem sucos artificiais e sem frituras, com hortaliças sempre fresquinhas”, comemora Eduarda.
Um dos fornecedores é o agricultor da localidade de Vila Nova, Tiago Teodoro, que há alguns anos cultivava apenas o fumo. Numa experiência com mudas de hortaliças, acreditou que poderia deixar o fumo para trás e que se dedicar a legumes e verduras poderia ser lucrativo. “A Epagri trabalha justamente isto, a diversificação da atividade rural, pois o fumo exige apenas cinco meses de trabalho no ano, enquanto que os demais sete meses a família pode lucrar com outros cultivos na mesma terra”, comenta o prefeito Eclair Alves Coelho, que é técnico agrícola da Epagri licenciado. Segundo ele, esta diversificação é uma maneira de segurar o agricultor no campo.
Em 3,5 hectares da propriedade que antes era só fumicultura, em meio hectare de hortaliças o agricultor já fatura em torno de um salário mínimo por semana. “Com o fumo, antes eu minha família pagávamos nossas contas uma vez ao ano, depois do resultado da safra”, revela ele que a vida da família no campo melhora a cada ano, com maior lucratividade e trabalho mais leve no cuidado com as hortaliças do que na lida com o fumo.
Com a ajuda do trabalho da esposa, da filha e de um funcionário, Tiago ainda planta o fumo, mas a cada ano substitui um pedaço da terra pela produção de alimento. A saúde de todos agradece.
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