Sobrepeso atinge todas as idades
Que fome zero, que nada! O índice de sobrepeso e obesidade da população brasileira avançou nos últimos quatro anos. Levantamento mais recente do Ministério da Saúde aponta que, de 2006 a 2009, a proporção de pessoas com excesso de peso subiu de 42,7% para 46,6%. Os dados fazem parte da pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico – Vigitel -, que entrevistou 54 mil adultos.
A Vigitel 2009 aponta que 51% dos homens e 42,3% das mulheres têm excesso de peso. A ocorrência do problema está relacionada a fatores genéticos, mas há uma influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no decorrer da vida.
O assunto realmente diz respeito a muita gente. A turvense Laura Casteller tem apenas 14 anos e a cerca de três começou a sentir os incômodos do excesso de peso. Além de estar fora das medidas de beleza impostas pela sociedade, também sofre com a influência dos quilos a mais na saúde. “Comecei a ver que eu estava sendo excluída um pouco da turma por causa do meu corpo. Eu também me sentia mal, porque não era qualquer roupa que me caia bem”, revela.
Depois de uma dieta maluca que não levou a nada, com apoio da mãe procurou uma nutricionista e mais tarde uma endocrinologista, até obter resultados.
“A nutricionista cortou quase tudo, já o médico diminuiu a quantidade de comida que eu botava no prato. Ao invés de eu comer quatro colheres de arroz comia duas e emagreci nove quilos. Hoje estou satisfeita, mas não posso descuidar, se não volta tudo de novo”, já aprendeu a adolescente.
Elaine Minatto, 30, acredita que a mulher que disser que está satisfeita com o corpo, está mentindo. Ela começou a ter problema com a balança depois de um tratamento pra alergia, com corticóide, quando aumentou 20 kg em três meses. Conseguiu perder bastante do excesso de peso, mas gostaria de eliminar mais alguns números do manequim. Só tem um probleminha: ela não consegue fazer dieta. “Não deixo de comer nada que quero, só procuro controlar a quantidade”, justifica. Difícil mesmo é fechar a boca quando está com TPM (tensão pré-menstrual) e a vontade de comer doce aumenta.
Luana Reis, 24, de Sombrio, se considera satisfeita atualmente. Para sua altura acha que conseguiu atingir um bom peso. Anos atrás pesava dez quilos a menos e se considerava magra demais. “Me incomodava ser muito magra.Aumentei 15 quilos e fiquei preocupada, mas depois emagreci e venho mantendo o mesmo peso a mais de um ano”, conta, jurando que não se preocupa com alimentação e come de tudo.
De São João do Sul, Milena Borba, 29, não está satisfeita com o corpo e procurou ajuda de uma nutricionista. Adotou a medida correta, assim como não fazer dieta maluca. “Não devemos fazer dietas que possam prejudicar a nossa saúde. O que ajuda a emagrecer é fazer exercício e ter alimentação saudável”, apregoa, dizendo se preocupar mais com a mente do que com o corpo.
É a lição que Rosa dos Santos, de Jacinto Machado, aprendeu. Em 54 anos de vida já fez várias dietas, bebeu chás e tudo que ouvia dizer que emagrecia. Hoje procura desencanar e apenas focar na saúde. Finalmente entendeu que não precisa estar no padrão ditado pela moda para ser feliz.
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