Histórias que marcam e comovem
“Só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível aos olhos”. Com esta bela frase do escritor Antoine de Saint-Exupéry, transcrita na sua obra o Pequeno Príncipe, ilustramos a terceira e última reportagem da série que mostrou a realidade da Casa Lar Irmã Carmem. O local que atende centenas de menores através de programas sociais e acolhe 50 crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social é uma grande lavoura do bem, aonde laboram diariamente agricultores de um novo tempo que plantam sementes adormecidas e esperam ver germinar o amor e a esperança.
Você vai acompanhar o depoimento de um menino de 15 anos, que há cinco vive na Casa Lar, sendo exemplo de bom comportamento e educação. R. adora música e com muita força de vontade tenta sozinho dar as primeiras notas em um violão, seu companheiro inseparável. Mas a força de vontade não é o bastante para esse garoto que apesar de muita determinação precisa contar com ajuda de um profissional que até hoje não surgiu.
“Eu tive oito irmãos que passaram aqui pela Casa. Três foram adotados e foram morar na França. Nossa infância não foi muito boa. Na verdade foi bem triste, mas passou e nem quero lembrar. No início, eu e meus irmãos nos falávamos pela internet, mas agora que não falam mais o português, nossa comunicação ficou difícil e acabamos perdendo o contato. Eu tenho muita vontade de aprender a falar francês para poder voltar a falar com eles, pois sinto muita saudade. Quando completar 16 anos em agosto, quero fazer um curso profissionalizante, ser alguém importante na vida. Seria muito bom se alguém pudesse me ajudar. Hoje não saberia dizer se gostaria de ser adotado, pois tenho um pouco de medo e aqui no lar tenho a minha família”.
As psicólogas Evanir Bonfante e Maria Regina Batista contam que a maioria das crianças chega a Casa Lar em situação de desconforto, medo, angústia e dúvidas. “Por traz destas crianças existe uma família nocauteada”, dizem. As mães quase sempre são sozinhas para sustentar a prole e acabam se desgastando e caindo nas bebidas e nas drogas. O resultado é que o abrigo que deveria ser provisório, acolhe crianças que acabam permanecendo por meses e até anos, como é o caso de R. Tanta convivência acaba criando laços fraternos fortes entre internos e funcionários, em que os gestos de amor dos primeiros são retribuídos pelos segundos. A gratidão também é um sentimento bastante presente nesta relação. Muitas vezes o agradecimento vem em forma de carta, que já somam centenas no armário de Evanir e Maria. “Recebemos uma pilha de cartas dos alunos e esse gesto de carinho é muito mais do que qualquer coisa. Além dos sorrisos que recebemos diariamente” contam elas.
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