Mulher desmente tentativa de aborto
O caso aconteceu no dia primeiro de março e chocou a região. Informações da polícia civil davam conta de que um pai havia tentado matar seu filho recém nascido, asfixiando-o com sacos plásticos e a mãe tinha sido conivente ao tentar abortar o bebê tomando medicamento abortivo. Ela teria sido influenciada pelo marido, Felipe Naspolini da Silva, que foi encarcerado no Presídio Regional de Araranguá enquanto a mulher e o bebê foram levados ao Hospital Regional.
Ontem a história ganhou mais um capítulo. Já na casa de sua mãe, em entrevista exclusiva ao Correio do Sul, a mãe da criança, Catiuce da Silva Martins, fala pela primeira vez sobre o caso e nega a história contada pelo companheiro. Ela dá nova versão aos fatos que aconteceram na triste noite de segunda-feira, que terminaria de maneira trágica para o pequeno Arthur, não fosse pela intervenção dos policiais.
Ainda abalada, a moça atribuiu à sogra o que teria acontecido.
Na entrevista que você acompanha na íntegra, Catiuce conta que vivia um verdadeiro inferno com o marido após ele ter entrado para o mundo das drogas e garante que vai lutar pelo filho, que está numa instituição a espera de que a justiça decida seu futuro.
Correio do Sul: Como era sua vida com Filipe, pai do seu filho?
Catiuce - Antes de ele entrar, sob influência da própria mãe, pro mundo das drogas, nossa vida era boa. Ele sempre foi um pai atencioso e carinhoso com as duas filhas que temos, juntos. Nunca deixou faltar nada pra elas. Mas a partir do momento que se envolveu com as drogas tudo mudou.
C.S: Você está afirmando que Adriana Naspolini, mãe de Filipe, é usuária de drogas?
Catiuce - Há mais de vinte anos. Foi até internada uma época em um centro de recuperação, mas não conseguiu se livrar do vício. Ela transformou com isso a minha vida em um inferno. Além de consumir, ainda estimulava que o filho usasse e ele também se tornou um viciado a cerca de um ano. Ela é viciada em crak e a casa dela já foi ponto de venda de drogas. Duas filhas menores de idade que ela tem precisaram ficar sob à guarda da irmã mais velha dela, pois, ela não tem condições de criar, naquele ambiente.
CS: Por que você permaneceu ao lado dele então?
Catiuce - Eu achava que tinha chances de recuperá-lo, afinal de contas ele é o pai dos meus filhos. Também achava que se estava ruim com ele, pior seria sem. Eu não tinha coragem de lutar sozinha para criar as crianças. Estava completamente perdida.
CS: O que aconteceu naquela segunda-feira?
Catiuce - Cheguei em casa, já era noite, me sentia muito cansada, fraca, havia trabalhado bastante e já sentia alguns sintomas de parto. Mas preferi tomar banho e me deitar. Não tenho noção de horas, mas lembro que era escuro quando acordei já sentindo contrações. Felipe saia e voltava o tempo todo, mas eu fechei os olhos e adormeci novamente. Acordei com dores muito fortes e fui direto ao banheiro, junto com Filipe. Logo em seguida o bebê nasceu e vimos que era um menino. A minha sogra entrou no banheiro e pegou a criança dizendo que iria chamar socorro, até esse momento eu ainda lembro, depois perdi o resto das minhas forças e tenho vagas lembranças. Mas recordo que ela pegou o menino e enrolou em um pano e saiu com ele no colo. Filipe me limpou e eu pedi a ele pra deitar, pois ainda estava muito fraca. Foi Deus quem me deu forças para ganhar meu filho, pois não teria conseguido sozinha.
C.S: Então você viu o bebê quando ele nasceu?
Catiuce - Sim, assim que nasceu ele chorou, mas depois disso não ouvi mais ele chorar. Eu acreditava que minha sogra tinha levado ele para um local seguro e tivesse pedido socorro pra mim. Eu estava inconsciente e tenho recordações de vultos e alguns flashes, pois estava muito fraca. Na realidade eu não sabia o que estava acontecendo, vi uma grande movimentação de gente, mas não reconhecia ninguém, nem mesmo a polícia, achei que fosse o socorro quando os vi.
De repente olho para traz e vejo meu marido algemado e eu sendo colocada em uma ambulância e foi nesse momento que vi pela segunda vez meu filho, pois a enfermeira que estava junto me mostrou. No momento, quando ainda estava deitada na cama, cheguei a pensar que iria morrer, mas o que importava é que meu filho já estava à salvo.
C.S: Filipe confirma a tentativa de aborto e que você havia ingerido comprimidos Citotec comprados por ele.
Catiuce - Não é verdade. Na realidade nunca comentamos sobre aborto e nem ouve tentativa. Quando o filho nasceu ele ficou todo contente. Mas a mãe dele sim, sempre foi contra e cogitou varias vezes essa possibilidade.
CS: Como era sua vida com Filipe, residindo praticamente junto com a sogra?
Catiuce - Um inferno! Depois que ele se envolveu com as drogas eu não vivi, eu sobrevivi. Pensei várias vezes em me matar, mas a minha consciência me fez pensar no futuro dos meus filhos que são o bem mais precioso que eu tenho. Eu chorava toda a noite porque ele saia com a mãe dele pela madrugada em busca de drogas e me deixava sozinha, abandonada. Cansei de denunciar pra polícia, mas nunca deu em nada. Eu não desejo o que passei pra ninguém!
CS: Você acredita que Filipe esteja acobertando a mãe?
Catiuce - Sim, tenho quase certeza. Ela nega que tenha estado na casa na hora do ocorrido e eu lembro muito bem quando ela pegou meu filho no colo e disse que iria pedir socorro. Filipe também disse que comprou o tal medicamento com a primeira parcela do seguro desemprego, porém a mãe dele recebeu esse valor apenas ontem e ficou com o dinheiro e todos os documentos dele, impedindo assim que eu consiga receber os meus direitos.
Eu era uma pedra no caminho da minha sogra, pois não concordava com as atitudes dela e as coisas erradas que ela fazia e ajudava o filho a fazer. Eu sempre tentei livrar o Filipe dessas encrencas, mas ele trocou a família pelas drogas.
C.S: Você teve algum contato com o seu filho? Pretende requisitar a guarda dele?
Catiuce - Sim, eu o amamentei no hospital e escolhi o nome Arthur. Pretendo sim ter meu filho ao meu lado, pois o amo muito e ele é um bebê lindo. Ainda estou bem abalada, mas isso vai passar e vou encontrar forças para seguir a minha vida. Já recebemos várias doações e quero aproveitar para agradecer à todas as pessoas que me ajudaram. Quem quiser pode continuar ajudando, pois eu sai da casa de minha sogra apenas com algumas peças de roupas.
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